Depois de 16 anos trabalhando com unhas todos os dias, algo em mim começou a se mover. Não foi cansaço. Não foi desmotivação. E definitivamente não foi arrependimento. Foi maturidade. Aquele tipo de percepção que não grita, mas observa em silêncio. Que não chega de uma vez, mas vai ganhando espaço até se tornar impossível de ignorar.
Durante muito tempo, o fazer bastava. Executar, atender, repetir, entregar. E não há problema nisso. Muito do que eu sou foi construído nesse ciclo. No perfeccionismo das linhas. No capricho dos acabamentos. Na entrega diária de resultados. Mas chega um momento em que repetir o mesmo movimento já não te movimenta mais. Não porque perdeu valor, mas porque você mudou. E com você, mudam também suas perguntas, seus critérios e seus objetivos.
Esses dias, ouvi uma frase que me atravessou por completo:
“Toda vez que você escolher o novo, o velho vai tentar negociar a permanência. Não aceite o convite, pois você já partiu.”
E foi isso. Eu já parti.
Mesmo quando o antigo tenta voltar disfarçado de conforto. Mesmo quando sussurra que já tá bom. Que não precisa mudar nada. Que é arriscado demais sair do lugar conhecido.
Mas eu já saí. Internamente, eu já dei esse passo. E mesmo sem saber o nome exato do próximo destino, eu sei que não cabe mais viver pela metade.
Hoje eu sei o quanto sei.
Eu sei o quanto vivi.
E é justamente por isso que não faz mais sentido guardar.
Existe um novo lugar que me chama. O lugar de quem ensina o que aprendeu. De quem estrutura o que viveu. De quem transforma experiência em direção. De quem abre espaço para que outras mulheres não precisem se perder para depois se encontrar.
Não é sobre abandonar minha profissão.
Não é sobre virar outra pessoa.
É sobre assumir que eu mudei. E que agora, o que antes era só ofício também é missão.
É sobre não deixar que a trajetória até aqui vire prisão. Ela precisa ser base.
Esse blog nasce nesse marco. O momento em que eu reconheço que continuo sendo Nail Designer. Mas que hoje carrego outra coisa junto. Visão de futuro. Clareza de propósito. E a decisão de compartilhar o que antes eu só vivia em silêncio.
Nem tudo são unhas.
Mas tudo o que eu sou começou por elas.
E é exatamente por ter vindo desse lugar que eu sei o poder que ele tem.
Agora é hora de ir além.
E você? Já sentiu que uma parte sua partiu, mesmo quando o mundo ainda espera que você continue no mesmo lugar?